O Dia do Cinematógrafo

Programação

O Dia do Cinematógrafo é um projecto iniciado pelo Cineclube de Faro em 2015, com o objectivo de celebrar a data de 28 de Dezembro de 1895, marco fundador da História do Cinema. Foi nesse dia que os irmãos Auguste e Louis Lumière realizaram, no Salão Indiano do Grand Café, em Paris, a primeira sessão pública e paga de cinema.

Para esta 10.ª edição, propomos uma viagem pela História do cinema, com a exibição às 17h de Lumière, a Aventura Continua! de Thierry Frémaux e às 21h Nouvelle Vague de Richard Linklater.

A primeira parte do programa centra-se nas origens do cinema, evocando o legado dos irmãos Lumière. Lumière, a Aventura Continua! (Thierry Frémaux) revisita a impressionante modernidade dos filmes realizados por Auguste e Louis Lumière no final do século XIX. Mais do que simples registos do quotidiano, estes breves filmes revelam um olhar profundamente cinematográfico sobre o mundo, explorando enquadramento, composição, movimento e encenação. O filme de Frémaux propõe uma redescoberta destas imagens inaugurais, sublinhando a sua vitalidade estética e a forma como, ainda hoje, continuam a dialogar com o cinema contemporâneo. Os Lumière não apenas inventaram um dispositivo técnico, como lançaram as bases de uma nova linguagem artística.

A segunda parte avança várias décadas na História do Cinema para revisitar outro momento de ruptura e reinvenção: a Nouvelle Vague francesa. Em Nouvelle Vague (Richard Linklater), somos conduzidos ao ambiente criativo e efervescente do final dos anos 1950 e início dos anos 1960, período em que um grupo de jovens cineastas — como Jean-Luc Godard, François Truffaut, Agnès Varda, Claude Chabrol ou Éric Rohmer — transformou profundamente a forma de fazer e pensar cinema. Reagindo contra os modelos tradicionais de produção, estes autores privilegiaram a liberdade formal, a filmagem em exteriores, narrativas fragmentadas e uma forte dimensão autoral, aproximando o cinema da vida, da juventude e do presente.

Os Lumière e a Nouvelle Vague representam dois momentos-chave da História do Cinema: o do seu nascimento e o da sua reinvenção. Ambos partilham um espírito de descoberta, experimentação e liberdade criativa, lembrando-nos que o cinema é, desde a sua origem, um território de permanente renovação.