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Uma Mulher Sob Influência

Categoria hospedeira: Programação
in Ciclo do mês

CICLO SOB A INFLUÊNCIA

DIA 17 (Sábado) IPDJ | 18h00

UMA MULHER SOB INFLUÊNCIA
John Cassavetes, EUA, 1974, 146’, M/12

sinopse, ficha técnica e trailer: aqui

Antes de "Uma mulher sob influência", Gena e eu discutimos longamente os filmes que íamos fazer, os papéis que noutros filmes são, em geral, muito discretos, como se tudo estivesse feito para que a narrativa pudesse funcionar. Discutimos sobre a dificuldade de amar e sobre a ausência total de interesse. Quando comecei a escrever o argumento, tinha tudo isso em mente; não queria que essa história de amor se passasse facilmente.
Foi um milagre, para nós, ter conseguido que os outros aceitassem que pudesse existir ainda uma história de amor no século XX, embora a história em questão fosse terrível - era justamente isso, uma história de amor; e não um encontro do acaso ou uma ligação de dois segundos. Isso manteve o entusiasmo.
São as relações de um homem e de uma mulher, e isso sempre me apaixonou... O casamento, como toda a forma de associação, é qualquer coisa de difícil. E creio que, nos filmes, temos a tendência a não levá-lo a sério... Este filme trata de problemas sérios que se põem a um homem e a uma mulher que estão alienados um em relação ao outro pelo seu meio, que desconhecem os problemas de cada um e que, no entanto, estão apaixonados.
Não houve a mínima improvisação ...  Escrevi totalmente o filme, do princípio ao fim, e em seguida rodei-o cronologicamente, como se a história tivesse sido passada na vida real. Fiz longos planos-sequência para que os actores pudessem conseguir fazer as cenas ultra-afectivas sem ser interrompidos.
O início da rodagem foi um inferno. A tensão emocional era tão forte que em treze semanas não tivemos nenhuma vida social. Não íamos ao cinema, não fazíamos vida nocturna, nem dávamos jantares! Ao fim do dia, estávamos desfeitos, fazíamos café e falávamos do filme: do que tínhamos feito na véspera, na semana anterior, o que faríamos no mês seguinte. Acordávamos em plena noite e recomeçávamos a falar. Era um compromisso total. Havia dias em que reinava uma tal tensão no plateau que era de cortar à faca.
Amuávamos; alguém lançava: "Não, esta cena não é verdadeira, não é justa, refazêmo-la!" Rodámos a cena da depressão nervosa de Mabel com uma focal tão longa que eu sabia que, tecnicamente, seria difícil... Era preciso que fosse natural: certas coisas eram mais ou menos nítidas; mas havia tantos pontos de interesse que mudavam todo o tempo! Rodámos esta cena montes de vezes, sob todos os ângulos. Mas das doze tomadas finais, a primeira fora a única verdadeiramente satisfatória. A quantidade de metros de película dependia unicamente do grau de resultado da escrita. Se a cena estava perfeitamente escrita, ela seria filmada facilmente. Se não fosse o caso, havendo demasiadas opções, fazíamos várias tomadas, por vezes doze ou catorze... A rodagem durou treze semanas.
Creio verdadeiramente que todas as mulheres são loucas. Tornaram-se loucas à força de representar um papel que não assumiram. Todos os homens são também loucos, bem entendido... A sociedade não deixa nada em comum aos homens e às mulheres. É o assunto do filme... Mostra as verdadeiras diferenças entre homens e mulheres. Tudo o que diz respeito às nossas vidas é determinado pela influência que um sexo tem no outro. As relações entre homens e mulheres estão fixadas nos nossos instintos, nos nossos cérebros, de forma permanente.
O problema principal de Mabel é que ela não tem nada do seu ego. Ela faz tudo o que é preciso para agradar a qualquer pessoa, mas não a ela mesma... Até à última cena do filme, ela está realmente sob a influência de Nick e da sua família. Sob a influência da sua sogra, do amor pela sua mãe que não gosta de si, mas a adora, percebe-se o que eu quero dizer. Sob a influência de um pai que a deserdou porque ela casou... Quando Nick pretende que ela se deite na cama, ela dirige-se para a cama. Quando ele pretende que ela se sinta pouco à vontade, ela está pouco à vontade. Se ele quisesse que ela se desculpasse, ela pediria desculpa.
Nick trabalha nas obras, é um tipo que trabalha com as suas mãos. E um tipo muito normal. Acredita na família, no lar. A sua mãe teve uma grande influência nele. Ele é muito conservador e de repente, casa. Toma o único risco da sua vida. A mulher com quem casa é um pouco estranha. Um pouco maluca. Ela ama-o apaixonadamente. Isso deixa-o pouco à vontade. Ele tem dificuldade em exprimir as suas emoções. Não quer que os outros o vejam. Não tem nenhuma vontade dessa proximidade, dessa relação com o mundo exterior. Prefere a distância na sua vida pública, mas a única coisa que pode fazê-lo descarrilar, é essa mulher.
E eis um homem que tem uma mulher extraordinária, que não quer partilhá-la com ninguém, porque ela põe-lhe a imaginação em fogo. Ela representa tudo para si - fisicamente, espiritualmente, mentalmente. Mas tem vergonha, porque ela não consegue adaptar-se. Ela não poderia tê-lo seduzido, se fosse como as outras. É só pela competição com os outros que Mabel pode sentir-se livre.
No final do filme, Mabel faz voltar tudo ao normal. E reencontra as incríveis responsabilidades que se desenrolam do facto de ter uma família e um lar. Mas Mabel mudou. Fora traída, pagou o preço, e tem agora muito mais medo de cometer erros. Nick também mudou; não a sacrificará mais pelo que quer que seja. Luta para que ela regresse, estrebucha, grita, e agrava a situação com as suas exigências "ridículas" - que a sua mulher volte a ser a "boa velha" Mabel. Ele viola abertamente a personalidade silenciosa e neurótica da nova Mabel...
As crianças aceitam os seus pais e Nick e Mabel descobriram, à sua maneira, que podem aceitar a diferença entre compromisso e necessidades afectivas.
O filme termina com o ritual de deitar; é preciso restabelecer, sem grandes conversas, o lugar para os dilemas do amor.
Optimismo. É um filme optimista. A situação é simples: um casal que não tem nada em comum, excepto o amor. [...]
"Uma Mulher sob influência" foi uma espécie de exploração dos problemas das mulheres. Tentámos pôr o máximo de questões possível sobre o amor e as suas consequências... Se fizemos este filme, foi porque Peter, Gena e eu pensávamos que era difícil falar sobre este fenómeno que é o amor, embora fosse o assunto principal. Na minha opinião, o filme punha a seguinte questão: o amor é possível?
"Uma mulher sob influência" é, neste momento, o meu filme mais optimista. Quanto a mim, trabalho no duro para que os actores não se armem em melhores do que são. O que é engraçado, é que é assim que eles se revelam como seres humanos.
Como indivíduos, sabemos que somos gentis, mas viciados, violentos e terríveis. Contudo, nos meus filmes há um esforço para conter tudo isso que deprime, na medida em que podemos encontrar uma solução... Há uma resposta para tudo. A resolução do filme é a afirmação do espírito humano.
As personagens dos meus filmes vivem sem dúvida momentos muito difíceis, mas mantém sempre a esperança e, no final, continuam a tê-la... E ao permitir que o espectador deite uma espreitadela sobre as ideias que o perturbam, o sacodem e o incomodam, ofereço ao espírito um objecto de reflexão.
Gosto de trabalhar personagens que têm um pouco mais de sentimentos que o estereótipo...
John Cassavetes, in "Autoportraits", Cahiers du Cinéma

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