O MEU NOME É ALFRED HITCHCOCK
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Categoria hospedeira: Programação
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in Ciclo do mês
DIA 16 | IPDJ | 21h30
O MEU NOME É ALFRED HITCHCOCK
Mark Cousins, Reino Unido, 2023, 120’, M/12
sinopse, ficha técnica e trailer: aqui
nota de intenções
Em 2021, o meu produtor John Archer comentou que 2022 marcaria o centenário do primeiro filme de Alfred Hitchcock, “Número 13″. Archer perguntou-me se poderia fazer um filme sobre Hitchcock e, embora eu tenha feito um filme sobre o Orson Welles, geralmente evito os grandes ‘’monstros’’ do cinema. Creio que já são bastante abordados e prefiro explorar territórios menos conhecidos. Contudo, os filmes de Alfred Hitchcock parecem-me inesgotáveis e tive imediatamente uma ideia para fazer este filme. E se fosse um filme na primeira pessoa? Hitchcock falaria por si mesmo, sem recorrer a imagens de arquivo ou a entrevistas antigas. E se eu escrevesse um monólogo novo e longo para ser dobrado por alguém que pudesse ter uma voz parecida com a de Alfred? Como se fosse um monólogo de Alan Bennett. A ideia entusiasmou-me porque permitiria que eu, como cineasta, fosse muito direto e brincasse com a ideia da voz.
Para ter a certeza de que há coisas novas a dizer sobre Hitchcock, e como estávamos em confinamento, decidi ver todos os filmes por ordem cronológica. Ao mesmo tempo, fui lendo alguns dos muitos livros que analisam as suas técnicas e obsessões, bem como o livro da sua filha Patrícia, o de Tippi Hedren e outros. Para orientar e analisar o que estava a ver, escolhi explorar alguns temas menos óbvios: a solidão, a concretização, a sua altura, etc. Quando comecei a ver os filmes, dei imediatamente por mim a escrever páginas de apontamentos. Quando vemos um filme com uma realização em mente,”O Inquilino” e “A Dama Oculta”, por exemplo, tornam-se subtilmente diferentes. Os primeiros filmes mudos começam a parecer prenúncios de “Um Corpo Que Cai”. Assisti a horas de entrevistas com Hitchcock e estudei a sua voz, as suas cadências. Mais páginas de apontamentos e vários cadernos e alguns meses depois, estava pronto para escrever. Peguei em tesouras e cortei os meus cadernos em linhas e parágrafos. Acabei com cerca de mil pedaços de papel. Depois, agrupei-os por temas e usei-os para estruturar a minha escrita. Perdi-me na escrita durante várias semanas e, de repente, o guião estava pronto. Eu e o editor Timo Langer começámos a editar e usámos desde o início a minha própria voz como voz substituta da de Hitchcock.
Quando terminámos, o filme tinha duas horas de duração. O produtor John Archer e a produtora executiva Clara Glynn assistiram ao filme e concordámos que tínhamos um mosaico, uma teia com a qual podíamos brincar. Deparamo-nos com a dúvida sobre quem faria a voz de Hitchcock. Pedi sugestões ao meu amigo Simon Callow que me disse que o melhor ouvido do mercado é Alistair McGowan. De seguida, entramos em contato com o seu agente e acabei por receber uma mensagem de áudio no meu telefone. Era Alistair a ler os primeiros cinco minutos do guião. E ele é Hitchcock. Gravo-o num pequeno estúdio em Shrewsbury e, embora tenha trabalhado com Jane Fonda, Tilda Swinton e muitos dos melhores artistas do meio, fiquei impressionado pela precisão do seu talento. Substituímos a minha voz pela dele e o filme ganhou vida.
O filme estava pronto. Nos créditos iniciais, digo: “Escrito e narrado por Alfred Hitchcock”. Isso, claro, não é verdade – e nos créditos finais, contamos à audiência quem realmente fez a voz – mas queremos criar a ilusão de que Alfred Hitchcock decidiu finalmente , através do além, guiar-nos pelo seu notável trabalho: o criador de um dos grandes sistemas de imagem do século XX, um labirinto de prazer e desejo.
Do ponto de vista do século XXI, o filme “Sabotador” de Hitchcock parece um road movie, um retrato da paisagem da América e um belo ensaio sobre tolerância. A ternura em “The Farmer’s Wife” parece ecoar a longa e próxima relação do realizador com a sua esposa, Alma. “Os 39 Degraus” parecem um filme de hiperlinks. A seriedade moral de “O Homem Errado” e “Rope’’ torna-se mais clara como nunca antes e fazem deles filmes centrais da obra cinematográfica de Hitchcock. A solidão em “Psycho”, “Confissão” e “A Janela Indiscreta” são de destacar. Quando vemos estes filmes em sequência, conseguimos perceber um cineasta em busca de algo, não apenas de histórias, mas de concretização, audácia e forma. Essa procura faz com que os seus filmes pareçam atuais. Para um homem tão interessado nos tempos, o seu trabalho é intemporal. - Mark Cousins
notas de imprensa
Uma proposta refrescante que prova como ainda não está tudo dito sobre o mestre do MacGuffin. - Inês N. Lourenço, Diário de Notícias
Só podemos aplaudir este fake refinadamente descarado que é “O Meu Nome é Alfred Hitchcock”, porque concebido e concretizado em nome da melhor e mais original e entusiástica cinefilia. - Eurico Barros, Time Out
A narrativa de Cousins tenta captar o que seria o sentido de humor e a ironia do seu retratado – a começar pela forma como debocha da enorme escultura feita em sua homenagem no bairro onde cresceu, em Londres. - Roni Nunes, C7nema
Mark Cousins engendra uma sucessão de microensaios sobre momentos de Hitchcock. - Luís Miguel Oliveira, Público
Uma deliciosa mentira a que a imitação vocal, absolutamente primorosa do actor e comediante Alistair McGowan, empresta uma pitada de assombração, como se a voz do apelidado mestre do suspense renascesse a partir do além. - João Garção Borges, Magazine HD
E se Hitchcock fosse o seu guia? Através de novos territórios, o público faz novas descobertas. - Sílvia Lima Rato, SIC
Ponto por ponto, clipe por clipe, este filme continua brilhante. Como sempre, há um verdadeiro evangelismo no trabalho de Cousins e em “My Name Is Alfred Hitchcock” há muito para aprender e desfrutar. Saímos desta experiência com os sentidos afinados. - Peter Bradshaw, The Guardian
… há um sentimento de surpresa, invenção e espontaneidade ao qual a maioria dos outros documentários cinematográficos faria bem em aspirar. - Christian Blauvelt, IndieWire
O documentário de Mark Cousins é revelador e divertido, engraçado e sombrio, complicado e artístico, tudo ao mesmo tempo. - Javier Ocaña, El país