VALOR SENTIMENTAL
-
Categoria hospedeira: Programação
-
in Ciclo do mês
DIA 12 FEV | IPDJ | 21h30
VALOR SENTIMENTAL
Joachim Trier, NO, 2025, 135’, M/12
sinopse, ficha técnica e trailer: aqui
Valor Sentimental é uma exploração íntima e comovente da família, das memórias e do poder reconciliador da arte.
notas críticas
“Uma obra-prima transcendente e comovente” - Indiewire ★★★★★
“Elle Fanning é extraordinária” - Indiewire ★★★★★
“A obra-prima para a qual Joachim Trier esteve a trabalhar durante toda a sua carreira” - Indiewire ★★★★★
“Um dos melhores filmes sobre como, numa família, podemos sempre pedir desculpa — e porque, no fim, é melhor perdoar do que esquecer.” - Rolling Stone
“Uma obra cinematográfica absolutamente deslumbrante” - Screen Rant
“Aquilo a que todo o cinema deveria aspirar” - First Showing
“O ponto alto da carreira de Stellan Skarsgård” - Next Best Picture
“Renate Reinsve é uma das maiores actrizes da sua geração” - Paste
“O melhor filme do ano” - Vogue
“Joachim Trier fez um filme perfeito e transcendente” - Awards Watch
“Cada escolha de Renate Reinsve é uma revelação” - Rogerebert.com
“Um lembrete de que Stellan Skarsgård é um dos melhores actores de sua geração” - Joblo
“Um dos melhores filmes da década, se não de todos os tempos” - The Knockturnal
“Magnífico” - Elle ★★★★★
“Um drama subtil e poderoso” - Télérama ★★★★★
“Servido por três actores, Joachim Trier toca o coração” - Le Monde ★★★★★
Joachim Trier: “O cinema é uma arte saída do século mais grotescamente violento”
Há um valor simbólico em Valor Sentimental. Mais do que todos os outros cinco títulos de Trier, este, que também é o seu melhor, tem um arcaboiço memorialista, de pendor reflexivo sobre o cinema, para o qual contam os fantasmas do espectador. Perante os grandes planos dos rostos, que voltam a ser eleitos, reeleitos, pelo ecrã.
[...] Encarrega-se de personagens e temas que o cinema europeu em tempos fez seus até com vantagem sobre o cinema americano (Ingmar Bergman, evidentemente, ou Woody Allen, que para o que nos interessa aqui consideramos europeu) numa época em que os filmes eram operações de prestígio visitadas por um público adulto, ardente e (mais) temerário. - Vasco Câmara, Público ★★★
MAKING OF
Uma conversa com Joachim Trier, Renate Reinsve, Stellan Skarsgård, Inga Ibsdotter Lilleaas e Elle Fanning
Do argumentista e realizador Joachim Trier, surge um drama familiar sobre duas irmãs muito unidas e um pai ausente que reaparece nas suas vidas, explorando as possibilidades de perdão e reconciliação.
Em VALOR SENTIMENTAL, Trier regressa à sua amada Oslo, trabalhando com o seu frequente colaborador, o co-argumentista Eskil Vogt para criar a sua história mais rica e complexa até à data, em que grande parte da acção se desenrola no interior de uma casa de família, uma casa construída a partir de memórias e que é tão viva e pulsante como a família que ali reside. Mantém- se fiel ao seu estilo característico, continuando ao mesmo tempo a desenvolvê-lo, fundindo o drama humanista das personagens com uma abordagem formal sofisticada.
Depois do sucesso de A PIOR PESSOA DO MUNDO, Trier volta a trabalhar com Renate Reinsve para dar seguimento ao filme nomeado para os Óscares, explorando desta vez temas mais maduros: traumas familiares residuais, o temperamento artístico, a complexidade do vínculo entre pais e filhos (e irmãos) e os perigos da autobiografia como forma de expiação criativa.
“O Joachim tem este dom, juntamente com o Eskil, de escrever argumentos incríveis que nos cativam com a sua visão”, diz Reinsve, vencedora do prémio de Melhor Actriz em Cannes pela sua notável prestação em A PIOR PESSOA DO MUNDO. “Sempre que trabalho com o Joachim, aprendo muito sobre a minha própria vida e as minhas relações. Quando tenho a sorte de interpretar uma das suas personagens, apercebo-me de que isso deixa uma marca poderosa na minha própria vida.”
Depois do sucesso mundial de A PIOR PESSOA DO MUNDO, Joachim Trier quis escrever outra personagem para Renate Reinsve. A relação entre irmãs tornouse um ponto de partida para VALOR SENTIMENTAL. “É fascinante como os irmãos podem ser tão diferentes e únicos dentro da dinâmica familiar”, diz Trier. “Este filme começou com as irmãs, depois transformou-se numa história sobre pais e filhos, e famílias.”
TEMAS
Entretanto pai, Trier reflectiu sobre a questão filosófica daquilo que uma geração transmite à seguinte. Aconteceu que a família de Trier tinha uma casa há já várias gerações e que estava à venda enquanto ele e Vogt escreviam o argumento, e começaram a pensar no conceito de lar.
“Pensei naquilo que os meus pais e avós tinham vivido, mas depois comecei a pensar na perspectiva de um jovem, as considerações de uma criança sobre a casa em que vivia”, diz Trier. “Um lar é algo muito subjectivo, e a casa tornou-se outro ponto de partida para uma história adulta mais complexa sobre a vida e as expectativas.”
Embora aconteça mais uma vez em Oslo, a mais recente produção de Trier é uma obra mais profunda, rica e abrangente do que as anteriores da ‘Trilogia de Oslo’.
“Esta é conduzida por várias personagens, e isso abriu novas possibilidades para a nossa escrita”, diz Trier. “A alternância entre personagens e o vaivém no tempo criam uma experiência mais polifónica, uma ideia mais ampla do que simplesmente seguir o percurso de uma única personagem.”
UMA CASA NÃO É UM LAR
Escolher a casa que viria a ser a casa de família em VALOR SENTIMENTAL tornou-se tão desafiante e demorado como encontrar actores para os papéis humanos. Como se viu no flashback inicial do filme, a casa Borg é um organismo vivo, observando silenciosamente o comportamento dos humanos que a habitam ao longo de várias gerações.
“Há um sentido de luto herdado nesta história e usamos a casa como estrutura para examinar o tempo, o perdão e a herança emocional”, diz Trier, um cineasta de terceira geração na sua família. “Interessam-me as emoções e as experiências transmitidas numa família e a forma como muitas vezes nos perguntamos porque somos tão parecidos com um dos pais e tão diferentes do outro.
A reflexão de Gustav sobre o que transmitiu às filhas para além da sua intenção ou conhecimento é um tema central no filme. Queríamos que a casa de família fosse uma estrutura que levasse o público a reflectir sobre isso.”
Ao longo de várias gerações, a casa em VALOR SENTIMENTAL acaba por reflectir as personagens e as suas relações conturbadas. “É uma forma bonita de ligar as gerações passadas com o presente, porque uma casa pode funcionar como uma constante e uma figura protectora na nossa vida, é uma força que nutre”, diz Lilleaas. “Pode ser apenas uma casa, mas guarda muita coisa da nossa vida que não presenciámos, contendo nas suas paredes a essência de tudo o que foi e talvez de tudo o que ainda será.”
TRIER SOBRE MÚSICA
De uma animadíssima festa em que se ouve Le Tigre em REPRISE até à pungência da versão de Art Garfunkel para ‘Waters of March’ em A PIOR PESSOA DO MUNDO, a música continua a ser um elemento crucial na filmografia de Trier. Na banda sonora de VALOR SENTIMENTAL, Trier pretendeu realçar a ternura dos laços familiares. “O filme começa com ‘Dancing Girl’ de Terry Callier, um tema que tem uma mistura de folk e soul que considero emocionalmente inspiradora para este filme, e termina com ‘Cannock Chase’’ de Labi Siffre, que de alguma forma me faz lembrar o mesmo estilo musical. Estou orgulhoso da banda sonora deste filme e sinto-me profundamente grato a todos os artistas que contribuíram.”
TRIER SOBRE A ABORDAGEM VISUAL
De novo com o director de fotografia Kasper Tuxen (A PIOR PESSOA DO MUNDO), Trier volta a destacar o aspecto distinto de Oslo enquanto cidade e a sua luz muito específica. “O nosso local principal, a casa, é um lugar bonito com muitas oportunidades, mas tem também os seus desafios. Tem grandes janelas em todas as direcções, pelo que não foi fácil manter as situações de iluminação exterior e preservar a especificidade da mudança das estações. O filme como um todo também apresenta uma enorme variedade de situações visuais, pois abrange diversos períodos de tempo, desde os anos 30 até aos dias de hoje, tudo isto aliado a uma sensibilidade visual moderna, filmes dentro de filmes e uma bela selecção de locais de filmagem variados. Estou muito impressionado com a forma como Kasper conseguiu equilibrar tudo isto visualmente.”