MOVEMO-NOS NA NOITE SEM SAÍDA E SOMOS DEVORADOS PELO FOGO
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Categoria hospedeira: Programação
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in Ciclo do mês
DIA 30 | IPDJ | 21H30
MOVEMO-NOS NA NOITE SEM SAÍDA E SOMOS DEVORADOS PELO FOGO
Guy Debord, França, 1978, 100’, M/12
Debord, que num dos seus filmes afirma “que o cinema deve ser destruído”, ocupa um lugar singular na História do Cinema, desde logo na forma como usa imagens “desviadas” de filmes clássicos, excertos de textos, seus e de outros autores, actualidades, fotografias e publicidades, explorando temas como a sociedade do espectáculo e a alienação.
Este é o seu último filme, uma continuação da sua obra e crítica à passividade do espectador, ilustrando a noção que uma imagem só tem potência crítica quando denuncia a sua própria fabricação e circulação.
notas críticas
O último filme de Guy Debord antes de este se remeter a um longo silêncio no cinema. A primeira imagem de IN GIRUM... confronta-nos com espectadores sentados numa sala de cinema, surgindo como um contracampo da realidade de projeção e invertendo o dispositivo ilusionista num filme que apresenta uma observação quase arqueológica da sociedade. Debord prolonga aqui as suas experiências dos trabalhos anteriores combinando imagens e sons "desviados" das mais diferentes proveniências, mas escreveu já um texto propositadamente para o filme. Correspondendo o seu título a um famoso palíndromo, "IN GIRUM IMUS NOCTE ET CONSUMIMUR IGNI" / "Movemo-nos na noite sem saída e somos devorados pelo fogo", esta é uma expressão que reenvia para um movimento circular que corresponde à circularidade do próprio filme. Cinemateca Portuguesa
A sua obra fascinante, contraditória e atualíssima pode ser vista no cinema Ideal. A sua filmografia radical e intratável, visceralmente poética, aí está como um dos grandes acontecimentos do nosso Verão cinematográfico. João Lopes, DN
Eis uma coisa raramente vista: todos os filmes realizados por Guy Debord (1931-1994), três longas-metragens e três curtas-metragens, feitas entre 1952 e 1978, ao alcance de uma ida ao cinema — ou de três idas ao cinema, mais rigorosamente, porque é esse o número de sessões em que se apresenta o programa que vai estar a partir de quinta-feira no Cinema Ideal, em Lisboa. Permanecem pouco conhecidos em Portugal e no resto do mundo talvez convenientemente esquecidos, que é a opção mais confortável. Luís Miguel Oliveira, Público