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Prazer, Camaradas!

Categoria hospedeira: Ciclo do mês
in 2021

23 ABR (6ªF) | Club Farense | 19h30

PRAZER, CAMARADAS!, José Filipe Costa, Portugal, 2019, 105’, M/12
ANTESTREIA - COM A PRESENÇA DO REALIZADOR

sinopse, ficha técnica e trailer: aqui

nota do realizador
Prazer, Camaradas! é um jogo lúdico: propõe a actores não profissionais que dramatizem as memórias de uma revolução que não foi apenas política, mas também sexual e de costumes. O filme desenvolve-se em quadros improvisados, confrontando as ideias e comportamentos de estrangeiros e portugueses sobre a intimidade e a vivência da sexualidade.
O argumento surgiu de um conjunto de relatos orais, textos literários e diários da época de estrangeiros e portugueses ex-exilados que, além de ajudarem nos trabalhos agrícolas, observavam e registavam o que viam e viviam com os portugueses. Eram uma espécie de antropólogos improvisados que se encantavam e decepcionavam com o que viam, transcrevendo os poemas e os ditos dos camponeses, assinalando as distâncias pudicas entre os corpos nos bailes tradicionais ou descobrindo o trágico destino dos solteirões atingidos pela guerra colonial. Alguns destes relatos deram mesmo origem a livros como Torre Bela – Todos Temos Direito a Ter Uma Vida (1977), do francês Francis Pisani e Die Landnahme von Torre Bela, 1976 [A Ocupação da Torre Bela], da alemã Helga Novak.
O filme explora as tensões, mas também as cumplicidades e os amores que nascem entre os “estranjas” e os camponeses. As diferenças entre os “camaradas do Norte” e os “camaradas do Sul” manifestam-se, não apenas na língua e na cultura, mas na esfera da intimidade e das relações conjugais, na demonstração do afecto e do comportamento do corpo, no modo de viver o casamento, ou de dividir as tarefas domésticas entre homens e mulheres.
No filme Prazer, Camaradas! propus aos actores um faz de conta: que dissessem ter dezoito, vinte ou trinta e tal anos, quando de facto a sua idade ronda os sessenta ou setenta anos. E que dramatizassem as cenas, em vez de as reconstituírem como factos do passado.
Reconstituição e dramatização são duas operações bastante distintas no cinema: na dramatização lançam-se dados para serem vividos no aqui e agora da filmagem: os actores não decoram um texto previamente dado, para ser memorizado e dito. Na reconstituição procura-se representar o mais fielmente possível uma determinada lembrança, como se se pudesse produzir uma imagem semelhante à imagem que se tem do passado. Na dramatização, os actores recorrem a gestos e palavras que fazem parte do reportório da sua memória de vida, mas trazem-nas para um convívio lúdico, interativo e reflexivo, frente à câmara. Ou seja, vivem estes “quadros dramáticos” como situações lúdicas cinematográficas, trazendo festivamente para diante de nós histórias que nem são de ontem, nem de hoje, mas de um tempo suspenso, como se convidassem o espectador para um jogo, em que passado e presente nunca estão delimitados, mas são mesclados.
É neste jogo teatral bem humorado que, ao mesmo tempo, os actores relativizam, criticam e satirizam alguns comportamentos e valores do passado. Já não acreditam neles, até podem rir-se deles, mas sabem o poder que tem, por exemplo, na diferenciação de papéis e na vivência da sexualidade. Exercem um terrível impacto sobre a vida quotidiana, na divisão de tarefas domésticas ou na violência exercida pelos homens sobre as mulheres. Estes padrões estão de tal modo entranhados que continuam a guiar a nossa vida, já não da mesma maneira, mas agora transfigurados.
É contra este contexto que uma das actrizes do filme reclama com veemência: “o corpo é meu, eu faço o que quero com ele, pronto!”, não se conformando com a ideia de submissão total aquele que foi seu marido e que tanto lhe exigia obediência no trabalho doméstico, como na hora do sexo. Esta declaração é estrondosa, mesmo quando pensamos no contexto actual em que ainda se mantém uma desigualdade salarial entre homens e mulheres e os números de mulheres mortas e maltratadas pelos maridos em Portugal são altíssimos. Esperava-se que o movimento revolucionário desses tempos que dramatizámos, tivesse sido mais rápido a transformar as leis não escritas do corpo e dos comportamentos. Afinal, passado e presente estão de tal modo misturados que é urgente perguntar: o que efectivamente mudou de lá para cá? Que liberdade foi esta que “passou por aqui”?

notas críticas
Mas no fim de contas, apesar do exercício implícito e do reforço à ideologia sem vingança, José Filipe Costa elabora um filme desafiante no nosso panorama. Não somente a nível cinematográfico, mas uma provocação de dois gumes aos revisionismos que tendem em persistir nos nossos debates políticos. HUGO GOMES, C7NEMA

Divertido e original, sem ser superficial. Uma visão enriquecedora do espírito do período pós-revolucionário e da natureza dos portugueses. VLADAN PETKOVIĆ, CINEUROPA

Cinema do real cheio de vida e sem medo de pegar pelos cornos temas como o machismo português, a herança do analfabetismo e um certo falhanço de toda esta experiência revolucionária. Os "camaradas" de Aveiras de Cima são sobretudo bem divertidos. RUI PEDRO TENDINHA, DIÁRIO DE NOTÍCIAS

É o desencanto de uma revolução que nunca se cumpriu por inteiro, algo que também se sente em Prazer, Camaradas!, sublinhado pelo próprio faz-de-conta que o seu autor propõe. JORGE MOURINHA, PÚBLICO

Como nos indica o título Prazer, Camaradas!, o filme é muito sobre esta descoberta, a de que não deve ser tabu falar abertamente sobre sexualidade. É talvez esta a temática mais forte, e mais recorrente do filme. O tipo de imagem, filmagem, banda-sonora muda constantemente e de forma inesperada. A imagética nunca se torna monótona. Uma dramatização fora da norma, num documentário atípico. MAGGIE SILVA, MAGAZINE HD

Um exercício de ousadia na forma de (re)criar histórias que se vão perdendo na memória. ESQUERDA.NET

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